segunda-feira, 23 de março de 2015

Mesmo lado.


Outro dia recebi a história de uma leitora e gostaria de compartilhar com vocês pois é um caso nítido de como muitas vezes é difícil criar um sentimento de afeto com o enteado.
Combinamos que para não expor a protagonista dessa história vou usar nomes fictícios.

Mary namorava Fulano (ex marido de Beltrana), um dia eles se desentenderam como acontece quando se namora, nada sério. Dois dias depois já estava tudo bem entre ele. Acontece que na noite do desentendimento, Fulano e sua ex mulher Beltrana se encontraram e resolveram ter um feedback e transaram sem camisinha! Beltrana engravidou. Quando soube, Mary muito magoada quis terminar o namoro e nesse momento Fulano não só não aceitou terminar o relacionamento como pediu ela em casamento (seu sonho). Ela aceitou e eles se casaram. Meses depois uma dura realidade bate a sua porta em forma de bêbê, sua enteada nasceu.

Durante os 3 primeiros anos de vida da enteada Mary não só teve que conviver com seu marido dividido entre ela e a filha como teve que conviver com o esforço de Beltrana em acabar com o casamento dela e a falta de pulso do marido com relação a Beltrana.

No caso dela eu entendo que mais do que nunca que ela deveria ter analisado melhor o “pacote” que ela estava assumindo antes de aceitar se casar. Neste caso Mary teria que levar em consideração dividir seu sonho de um casamento na igreja de véu/grinalda e festão, lua de mel na Europa, casa nova ... tudo isso acontecendo em paralelo com a gestação da sua enteada, stress da mãe que estava passando um gestação solteira e amargando o pai da filha casando com outra, ciúmes, baixa auto estima, sentimento de vingança, barriga crescendo, o parto, primeiros meses de vida da enteada, todo o stress que a família faz numa hora dessas ... Tudo isso e muito mais fizeram parte desse pacote.

Beltrano desde o primeiro momento mostrou que era fraco (e na minha opinião irresponsável também) pois se relacionou de forma aventureira sem camisinha com sua ex namorada gerando uma filha, mostrando claramente desde o inicio que ele também seria um peso neste pacote e que embora ele amasse Mary ela não poderia contar com o pulso firme dele na condução da construção desses espaços dentro dessa nova família.

Esse tipo de situação é muito complexa emocionalmente falando pois é repleta de muitos sentimentos antagônicos ...

Eu acredito que independente da situação sempre será possível uma relação boa e saudável entre madrastas e enteados. A base dessa minha “crença” é que toda madrasta teve a oportunidade de escolha, sempre podemos escolher não ter que conviver com filhos de outro relacionamento e uma vez que escolhemos nos envolver nesse tipo de relacionamento temos que ser completamente responsáveis pelo nosso papel na vida desses filhos.

Pensando na escolha de Mary, parece muito difícil conseguir gostar dessa criança, afinal para ela a enteada traz a marca de uma traição. Pensando nesse caso eu entendi que a única forma dessa madrasta conseguir olhar de forma diferente para enteada e a partir daí conseguir construir um afeto, é entendendo que nenhuma é culpada nessa situação ambas cada uma da sua forma são vitimas das escolhas do Beltrano. Dessa forma elas ficam do meso lado.

Bom, depois de um bom tempo e uma boa terapeuta a protagonista de nossa história caminha a passos largos e coração aberto na direção de construir um bom relacionamento com sua enteada. O que me faz acreditar cada vez mais que independente da situação sempre haverá um caminho para se viver bem com os filhos dos nossos companheiros.

Beijo grande e até o próximo post!
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